SANTA EFIGÊNIA – IGREJA


Fala Galera!

 

Nesta matéria conheceremos a “Igreja de Santa Efigênia”, mas para isto, devemos também conhecer a história de “Chico Rei”, afinal, ambas estão interligadas, sendo necessário compreender quem é este personagem tão importante na história ouro-pretana para então percebermos sua influência sobre a edificação, detalhes decorativos e festas da Igreja.

Sabemos que a história de Chico Rei é interessante e relevante, embora também seja longa e um pouco cansativa. Para quem está com pressa, pule direto para a parte “LOCALIZAÇÂO”, já para quem prefere imergir na trajetória do Rei do Congo, tenham uma boa leitura!

A história de Francisco Rei (Chico Rei) inicia em sua terra natal Congo, onde era um monarca africano cuja o nome original é Galanga. Sua tribo foi aprisionada, escravizada e trazida para o Brasil colônia por comerciantes portugueses.

Parte da família real que seguia aprisionada não sobreviveu a viagem até o Brasil. Durante a travessia do oceano a tripulação foi surpreendida por forte tempestade e, na tentativa de acalmar a fúria das águas, os traficantes de escravizados jogaram ao mar a rainha Djalô e sua filha, princesa Itulo, restando da família real apenas o monarca e seu filho. Lermos isto hoje pode nos parecer um tanto assombroso, mas para a época era algo comum ou até aceitável culturalmente.

O navio “Madalena” que os transportava chegou às costas nacionais em 1740, sendo todos os escravizados adquiridos por um mesmo senhor, o Major Augusto, proprietário da Mina Encardideira em Vila Rica, atual Ouro Preto.

Foi então que o rei Galanga é rebatizado como Francisco (o dever catequético da Coroa portuguesa foi ratificado em 1513 pelo papa Leão X por meio da bula Eximiedevotionis, que atribuía ao vigário da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Lisboa, a função de ministrar o batismo aos cativos africanos trazidos ao Reino, numa época em que Portugal ainda era o destino prioritário dos escravizados capturados na África. A responsabilidade régia e eclesiástica foi dividida com os proprietários particulares, que, de acordo com uma ordem régia de 1514, tinham a obrigação de garantir o batismo de seus escravizados adultos no prazo de seis meses após a aquisição, sob pena de os perderem. Crianças de até dez anos de idade deveriam ser batizadas em no máximo um mês, visto que seu consentimento voluntário não era necessário), prática herdada de Portugal e em geral aplicada nas colônias.

Francisco Rei e seu filho trabalharam na mina durante vários anos, adquirindo a liberdade através da compra da Carta de Alforria (é o ato pelo qual um proprietário de escravizados os liberta mediante recebimento de determinada quantia). Sequentemente contribuíram na alforria de todos seus compatriotas e, de forma heroica também adquiriram a mina de ouro na qual trabalharam forçadamente.

Chico Rei e seu grupo associaram-se a confraria do Rosário, formada por negros (escravizados ou alforriados, fundada na cidade por volta de 1730), inicialmente abrigada na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, onde juntamente com outras irmandades possuíam um altar. É aqui onde a história de Chico Rei e a igreja de Santa Efigênia se fundem.

Com o crescimento da cidade e aumento de recursos, a irmandade resolveu fazer sua própria igreja, que foi dedicada à Nossa Senhora do Rosário (a principal devoção mariana adotada pelos negros). O nome completo da primitiva igreja era ‘Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Capela da Cruz do Alto do Padre Faria‘, mas com o passar dos anos, a igreja ficou mais conhecida por sua outra padroeira, Santa Efigênia - uma princesa da Etiópia, nascida no século I da era cristã, que foi convertida pelo apóstolo São Mateus e que colaborou enormemente na cristianização daquele país. Obviamente era venerada com devoção por todos que tinham também origens africanas.

Segundo a lenda, o dinheiro para a construção da igreja teria vindo da mina de Chico Rei, tanto a verba inicial quanto o próprio ouro utilizado no douramento da talha. Na entrada da igreja ainda encontramos uma pia onde, segundo a lenda, as mulheres escravizadas que trabalhavam nas minas da região lavavam os cabelos empoados de ouro, para então adentrarem. O ouro encontrado na pia era recebido como donativo.

Conta-se também que, os negros trabalhavam na construção da igreja durante o período noturno, pois durante o dia tinham que atuar nas minas. Embora esses fatos possam realmente ter ocorrido, sabe-se que as irmandades de negros possuíam recursos suficientes para pagar os artistas e o ouro do douramento, não sendo necessário trazê-lo às escondidas. Sem contar que, na cidade haviam milhares de negros alforriados que podiam perfeitamente ter colaborado na construção da igreja em plena luz do dia.

 

Localização:

A Igreja de Santa Efigênia pode ser vista à distância e de diversas partes da cidade, pois está instalada no alto de um morro, ao fim da ladeira de mesmo nome.

Para quem visita nossa querida Ouro Preto a pé, é possível visitá-la sem grandes transtornos. A caminhada partindo da Praça Tiradentes e passando pelo bairro Lages é bem tranquila, contando com 1,6 km e aproximadamente 22 minutos de duração. Vale lembrar que, para quem opta por este trajeto, encontrarão no caminho o “Mirante das Lajes” com vista privilegiada para o Bairro Antônio Dias e parte histórica da cidade. Encontrarão também a Mina de Ouro Jeje”, construída pelo trabalho humano no século XVIII com auxílio apenas de alguns instrumentos rudimentares como: pás, picaretas, marretas e lamparinas. O percurso de visitação da mina é composto por 160 metros, mas todas suas ramificações possui um total de 760 metros de comprimento. Vale aproveitar a caminhada e visita-la, contribuindo ainda mais para imergir em nossa história.

Abaixo estão todos os atrativos turísticos que nós da Tour Ouro Preto visitamos e criamos Artigos Turísticos, apresentando tudo que irão encontrar. Aproveite para descobrir o que Ouro Preto tem a oferecer!

 

Edificação:

Atribui-se a autoria da planta (sem confirmação) a Manuel Francisco Lisboa, pai do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho.

A edificação da igreja foi arrematada por Antônio Coelho da Fonseca, iniciada em 1733, prolongando-se até 1785, levando 52 anos para sua conclusão. Historiadores presumem que esta foi a primeira igreja a tirar partido efetivo das novas possibilidades construtivas permitidas pelo uso de alvenarias de pedra. Também apontam que a planta da igreja pode ser considerada uma simplificação da planta tradicional, visando a obtenção de formas mais elegantes e funcionais. Alguns aspectos são inovadores, como o recuo das torres em relação ao frontispício, os ângulos de junção arredondados, o coroamento em forma de bulbo, cornija semicircular acima do óculo e a decoração da portada, formada por um nicho, contendo a imagem de Nossa Senhora do Rosário, atribuída ao escultor Aleijadinho.

A data de conclusão da construção está inscrita no pedestal da cruz de pedra que encima o frontão da fachada. De toda forma, o frontispício apresenta um tímido e sóbrio trabalho em cantaria.

Na fachada também encontramos relógios de pedra, considerados os mais antigos em funcionamento de Minas Gerais.

 

Nave:

A decoração interna da Igreja iniciou-se em 1747 com Francisco Xavier de Brito trabalhando nas obras de talha e Manuel Gomes da Rocha na parte estatuária.

Nela encontramos estrutura diferente das demais igrejas do entorno, pois não apresenta corredores laterais, sendo necessário percorrer toda extensão da nave para então encontrar na capela-mor o corredor de acesso à sacristia.

Nas paredes laterais encontramos dois púlpitos e quatro altares, estes invocando Santa Rita, Santo Antônio Noto, São Benedito e Nossa Senhora do Carmo.

O teto possui bela pintura à base de corantes vegetais, mas durante muito tempo esteve encoberta por outras camadas de pintura realizadas durante obra de reforma e restauração ocorrida entre 1894-1896. A pintura só foi novamente exposta na década de 60 deste século após nova reforma realizada pelo IPHAN.

 

Capela-mor:

O entalhador Francisco Branco de Barros foi o autor do risco dos altares e responsável pela administração da obra. Em 1754 Felipe Vieira executou trabalhos no forro, sendo mencionado dois anos mais tarde como um dos principais arrematantes da obra de talha, juntamente com Jerônimo Félix Teixeira. Referências de pagamentos aos dois artistas indicam que, em 1767, ainda trabalhavam na igreja na fatura de uma série de castiçais de madeira para os altares da nave e capela-mor.

O teto da capela-mor conta com bela pintura, mas o que chama grande atenção é a presença de um Papa negro, contendo em sua cabeça um barrete frígio. Além disso, está ao lado das insígnias papais, não restando dúvidas quanto a intenção de representação do artista.

Na documentação da irmandade, datada de 1785, consta um recibo de serviços solicitando que as “laterais sejam desmanchadas para que se consertem as coisas erradas”. Supondo que estes “erros” são figuras denunciadas como indignas, o que havia ali na metade do século XVIII era muito mais explícito do que resta hoje, deixando claro a abundante influência negra e da cultura africana em sua concepção.

Também na capela-mor encontramos dois painéis pintados em dois tons por Manoel Rabelo de Souza, retratando cenas da vida cotidiana da época.

 

Observações:

  • Para quem chega até o atrativo de carro, é possível estacionar à frente da Igreja e também em sua lateral, sendo necessária paciência devido a reduzida largura das ruas que circundam.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados. A Igreja é tanto na arquitetura, quanto na decoração, para os olhares atentos, garantia de contentamento e obtenção de novos conhecimentos sobre nossa história.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe da Igreja nos recebeu.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Inteira R$5,00. Meia R$2,50 para: professores, estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 60 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até sete anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou RG, ouro-pretanos que apresentarem comprovante de residência ou RG, guias turísticos devidamente credenciados e mediante apresentação de crachá vinculado a instituição de turismo.
  • Horários de funcionamento: terça-feira a domingo, das 8:30 às 16:30 horas.
  • As missas ocorrem: sextas-feiras e domingos às 7 horas, sábados às 19:30 horas. Todo 3º domingo do mês às 10 horas e batizados às 12:30 horas.
  • Reza do terço: quintas-feiras às 19 horas.
  • Endereço: Rua Santa Efigênia, sem número, Bairro Padre Faria, Ouro Preto – MG
  • Telefones: +55(31)3551-5047.

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