ORATÓRIO - MUSEU


Fala galera!

 

Iniciamos nossa matéria com uma informação SUPER relevante.

O Museu do Oratório apresenta uma magnífica coleção, única em todo o mundo!

Só para enfatizar, outros museus expõem imagens e oratórios, alguns até possuem coleções, mas um museu inteiramente dedicado a eles, encontraremos apenas aqui em Ouro Preto. Em 2018 o Museu está completando 20 anos de existência.

 

Sua localização é de fácil acesso, estando situado no adro da Igreja Nossa Senhora do Carmo (clique e veja a matéria completa) destacada em vermelho, instalada ao lado do Museu da Inconfidência, que por sua vez está de frente a praça Tiradentes, ambos destacados em amarelo, bem no centro da cidade.

 

A visita já começa pela breve caminhada necessária para alcançar o museu, onde o visitante pode contemplar a arquitetura externa da Igreja, seu belo jardim e também a edificação da casa onde o atrativo está instalado.

A observação da junção entre a igreja e casa se faz necessária para entendermos melhor sua história. O prédio onde hoje funciona o Museu do Oratório é um dos mais significativos edifícios da Ouro Preto setecentista, construído em 1753 para inicialmente receber noviços, acervo e pertences da Irmandade de Santa Quitéria (que doou o terreno) e também da Venerável Ordem Terceira do Carmo (que iniciou as obras).

Possui arquitetura simétrica constituída por três andares, sendo estes o porão, térreo e primeiro pavimento.

Uma curiosidade interessante é que, Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, residiu temporariamente nesta casa enquanto trabalhava nas obras da Igreja do Carmo, a partir de então começou a ser chamada Casa do Aleijadinho.

O prédio foi inteiramente restaurado. Hoje conta com sofisticado mobiliário técnico, equipamentos de museologia contemporânea, sistema de ventilação no subsolo e som em todos andares, agradando os ouvidos de quem passeia pelas salas com música barroca.

Observem o belo trabalho realizado no prédio com as imagens antes e após reforma.

Escadaria do primeiro pavimento e piso revestidos em madeira.

 

Para falarmos dos objetos de fé expostos, primeiro temos que relembrar um pouco da história do Brasil.

Em 1500 quando as caravelas chegaram à costa onde hoje chamamos de Bahia, descarregavam em meio a sua bagagem um oratório com a Imagem de Nossa Senhora da Esperança, dando continuidade à tradição que auxilia o homem no contato com a divindade.

Na rotina apressada e vertiginosa em que vivemos, é cada vez mais raro encontrarmos tempo para momentos de reflexão e devoção, mas, houve uma época em que as pessoas dedicavam vários momentos do dia a seus rituais particulares em busca do sagrado. Para isto, se valiam dos oratórios, objetos que hoje tem um enorme valor simbólico e podem nos apresentar muitas histórias.

Os oratórios tiveram origem nos primórdios da idade média. Eram nichos ou armários com imagens religiosas, concebidos como um tipo de retábulo ou capela particular, em que os reis e nobres realizavam suas orações. Inspirando-se nestes costumes da realeza, as famílias mais abastadas começaram a possuir seus próprios oratórios, e pouco-a-pouco, este costume foi disseminado entre todas as camadas sociais, tornando-se até hoje parte do cotidiano do brasileiro.

Feitos de diversos materiais e estilos, os oratórios brasileiros servem de registro histórico e social. Por meio deles, podemos conhecer o cotidiano da época, as formas de rezar, de morar, os hábitos, valores e costumes.

 

Com nítidas influências de três épocas distintas, barroco, rococó e neoclássico, os oratórios são classificados na exposição pelo seu uso e sua forma.

A seguir, citaremos cada um deles e daremos breve descrição com a intenção apenas de elucidar, afinal, nesta matéria dificilmente esgotaríamos todos os detalhes dos 162 oratórios e 300 imagens criadas entre o século XVII e XX.

 

Oratório bala:

Eram muito utilizados por tropeiros. Seu nome vem da semelhança entre seu formato e o das balas de cartucheira. O formato inusitado destes oratórios transformou-se com o tem em opção estética, dando origem a exemplares sofisticados feitos por grandes artistas.

Observação para a criatividade do artista em criar um oratório bala dentro de um bala de cartucheira.

 

Oratório de Algibeira:

É aquele que pode ser carregado no bolso ou junto ao corpo do fiel com o intuito de receber proteção divina cotidiana, a divindade sendo trazida para junto do homem. De pequenas dimensões, poderiam ser usados tanto em viagens quanto no dia-a-dia.

 

Oratório Esmoler:

Estes oratórios possuíam fim específico, usados por pobres, mendigos, ou irmãos das ordens, geralmente pendurados no pescoço. Eram utilizados para fazerem pedidos com intenção de garantir sua subsistência, angariar recursos para cumprir promessas ou para construir igrejas. Vários deles possuem gavetas para armazenar recursos coletados, ou pequenos apetrechos.

 

Oratório Arca (Altar Móvel):

Eram transportados a locais distantes para celebração de casamentos, batizados, missa fúnebre, dentre outros eventos religiosos. Observação para a pintura rebuscada e acessórios religiosos constituídos em prata, sinal de ostentação para a época.

 

Oratórios de Convento:

Elaborados por freiras em conventos, construídos geralmente com recortes, papel laminado, algodão, colagem e flores, eram vendidos para angariar fundos na intenção de sustentar os conventos.

 

Oratório de Alcova (Oratório de quarto de donzela):

As mulheres possuíam oratórios próprios, guardados em seus quartos, levados em viagens e, mais tarde, para seus lares de casadas. Costumavam ser herdados, passados da mãe para a filha. Dedicados geralmente à Virgem Maria ou Santana.

 

Oratório Ermida:

Usado em povoações ou lugares afastados, também comum nas fazendas, funcionavam como pequenas capelas domésticas e de utilização pública. Uma curiosidade sobre este tipo de oratório é que necessitavam da autorização da igreja para serem consagradas e utilizadas como espaço religioso público.

Detalhe para esta obra, é considerada a mais antiga do museu, construída na metade do século XVII.

Detalhe para esta obra, é considerado uma das mais valiosos da coleção, concebida com madeira brasileira nobre e revestida em ouro.

 

Oratório Afro-Brasileiro:

São os oratórios feitos por escravos ou descendentes de escravos, onde percebe-se claramente um sincretismo religioso. Decorados com motivos geralmente geométricos ou ligados a natureza, são bastante ricos em elementos simbólicos, contendo vários tipos de imagens acrescidos de objetos como moedas, terços, quadro de santos, gravuras, colares de candomblé e outros.

 

Oratório de Salão:

De utilização doméstica, geralmente assentados em uma cômoda situada em local de comum acesso e utilização a toda família.

Detalhe para este oratório que, no museu, reproduz um ambiente de salão colonial, inspirado como modelo a corte. Nesta reprodução estão expostos utensílio em prata martelada e vaso de porcelana com inscrição oriental.

Detalhe para este oratório que, em seu interior, possui pintura atribuída ao artista Manoel da Costa Ataíde, mais conhecido como Mestre Ataíde.

 

Oratório Concha:

A estrutura da peça é elaborada com série de aramados bem finos, cobertos por tecido e linha. As particularidades residem tanto nos materiais usados, com destaque para as conchas, quanto na laboriosa decoração composta por grandes guirlandas, buquês e espirais.

 

Observação:

  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados. O acervo é, para os olhares atentos, garantia de contentamento e obtenção de novos conhecimentos sobre nossa história.
  • O Museu é uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez.
  • As peças do acervo foram doadas ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) pela colecionadora Angela Gutierrez no ato da inauguração.
  • Todas as informações contidas neste artigos foram colhidas em visita e também no site da instituição.
  • A Instituição disponibiliza gratuitamente audioguias em 5 idiomas (português, inglês, francês, espanhol e libras).

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe do Museu nos recebeu, em especial a diretora Vanessa Vasconcelos.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações importantes:

  • Entrada: inteira R$5,00, meia R$2,50. A entrada é gratuita para estudantes, professores, profissionais de turismo e moradores de Ouro Preto.
  • Horários de funcionamento: de quarta-feira a segunda-feira, das 9:30 às 17:30 horas.
  • Endereço: Adro da Igreja do Carmo, 28, Centro - Ouro Preto
  • E-mail: info@museudooratorio.org.br
  • Telefone: (31)3551-5369

Site - Facebook - Instagram - Traçar Rota

 

Seja o primeiro a avaliar!


Adicionar aos favoritos

11 jun 2018


Por Paulo Afonso
Anuncie