MINA DE OURO DU VELOSO


Fala Galera!

 

Estamos iniciando um Artigo Turístico especial, pois, sempre que visitamos as minas de ouro abertas à visitação na cidade de Ouro Preto aprendemos mais sobre sua história, peculiaridades e também descobrimos seus personagens, tanto os que já partiram deixando suas marcas quanto os presentes que reconstroem a história e conduzem a novo e mais feliz fim.

Iniciamos este artigo tratando especificamente de dois personagens que comungam da mesma história, no entanto em períodos diferentes. O Primeiro chama-se José Veloso do Carmo, coronel detentor do direito à exploração das terras e lavra das minas que compunham a “Serra do Veloso”, aos pés do qual se ergueu o arraial do Ouro Preto, um dos dois que compunham Vila Rica, ao longo do século XVIII. Já nosso segundo personagem chama-se Eduardo Evangelista Ferreira, carinhosamente apelidado de "Du", sendo o atual proprietário de uma das minas subterrâneas que faz parte do vasto território do já citado primeiro personagem.

Lembrando um pouco mais da nossa história, sabe-se que a precoce povoação das entranhas mineiras deu-se prioritariamente através da extração do ouro, devido a descoberta ao final do século XVII das ricas jazidas auríferas na região central de Minas Gerais, provocando surto mineratório nunca antes observado no Brasil, cujos impactos ultrapassaram a barreira do Atlântico. Dentre os efeitos mais significativos contam-se a interiorização do esforço colonizador, antes concentrado e restrito ao litoral, além de promover intensa migração e o surgimento de diversas aglomerações urbanas que anteciparam as cidades do ciclo do ouro.

O naturalista francês Auguste de Saint Hilaire descreve o motivo causador da irrazoável escolha de criação e instalação dos vilarejos em locais tão inóspitos quanto pode ser observado na criação da antiga Vila Rica, tendo o ouro como único fator decisivo para a tomada de decisão:

A grande quantidade de ouro que se encontrou em Vila Rica foi a única causa de sua fundação. Seria, aliás, impossível escolher posição menos favorável, pois que essa vila está afastada dos portos de mar e mais afastada ainda de qualquer tipo de rio navegável; as mercadorias só podem chegar ai em animais de carga, e seus arredores são completamente estéreis (SAINT-HILAIRE, 2000, p. 69).

Nesta época de abundancia aurífera o já citado coronel José Veloso do Carmo fazia fortuna explorando suas minas. Seu território de exploração contemplava serra que é a divisora de águas de duas importantes bacias hidrográficas, a do rio doce e a do rio das velhas. Dentro do seu território existiam aquedutos, sequência de tanques de lavagem de ouro (mundéus), além das mais de 40 galerias subterrâneas. Observe pela imagem abaixo, a linha amarela delimita o território de exploração do coronel, os pontos amarelos são as bocas das minas, os pontos roxos são os mundéus e os pontos azuis são as barragens.

Após a abundância do ouro, como era de se esperar o declínio da extração foi inevitável. O esvaziamento e abandono definitivo das lavras iniciado ao final do século XVIII e, posteriormente, à estagnação política e econômica da cidade, resultante da perda do status de capital de Minas Gerais, em 1898. Nessas circunstâncias, vários bairros periféricos situados nas áreas de lavras, localizadas nos morros, foram praticamente extintos. A cidade se reduziu ao núcleo central, com grandes “vazios” na paisagem, preservando, intacto, um formidável acervo artístico-arquitetônico, representado pelos templos, monumentos e casario colonial.  Entretanto, a partir da década de 1970, a retomada do desenvolvimento impulsionou a economia local e acelerou o crescimento demográfico, intensificado pela instalação de grandes mineradoras nos distritos próximos.

É neste ponto que nosso segundo personagem inicia sua jornada. Eduardo Evangelista Ferreira (Du) nasceu e cresceu no São Cristóvão, bairro que surgiu pelas vertentes da serra que um dia foi dominada pelo coronel. A ocupação desta área só foi possível por alteração na legislação fundiária municipal, até então fundamentada no regime colonial de sesmaria, apresentando consequências particularmente danosa.  Extinto o regimento foreiro, lamentavelmente, não foi implantado um instrumento legal de regulação e controle da ocupação dessas áreas, de forma a preservar os campos de ruínas, rapidamente ocupados sem qualquer fiscalização e planejamento adequado. A partir daí, a maior parte dos antigos remanescentes foi demolida ou usada como fundações para novas moradias, perdendo-se irremediavelmente grande parte do seu potencial arqueológico.

A Mina Du Veloso, hoje aberta à visitação, surge em caminho inverso desta onda de construção civil. Sua nova história teve início de forma inesperada; fortes chuvas atormentaram a região no ano de 2010, gerando deslizamentos de terra e desabamentos localizados. Um destes desabamentos atingiu uma mina notável, bem preservada, localizada abaixo de uma casa construída de forma inadvertida sobre a galeria, havendo necessidade de reconstrução quase total do imóvel para recebimento do público. Veja pela imagem abaixo como as atividades foram iniciadas:

 

Localização:

Sua localização é de fácil acesso a veículos de pequeno porte (carro e moto), mas possui restrições para veículos de maior porte (vans e ônibus), sendo necessário estacionar nas ruas anteriores ao atrativo e caminhar cerca de 50 metros. Lembrando que o bairro foi construído de forma desregular, por isto a dificuldade de acesso ao local e também impossibilidade de manobrar veículos maiores no seu entorno. O trajeto da Praça Tiradentes até o atrativo realizado por veículo tem a extensão de 1,8 km e dura aproximadamente 6 minutos.

Para os turistas que desejam acessar o atrativo a pé, a caminhada partindo da Praça Tiradentes é bem tranquila, seguindo por avenida plana e depois que acessar o bairro encontrará ruas pouco íngremes. Esta caminhada também possui extensão de 1,8 km e dura em torno de 25 minutos. Veja na imagem abaixo o trajeto sugerido:

 

Devemos salientar mais um ponto quanto a localização do atrativo. A Mina Du Veloso está instalada dentro de um bairro que na época de sua ocupação não possuiu diretrizes para tal. As ruas são apertadas, sendo necessário mais atenção para seguir as placas indicativas e escolher bom local de estacionamento do veículo.

Agora vamos falar do atrativo turístico já reformado e pronto para receber o público.

A fachada é linda e, percebe-se o zelo que o idealizador teve em construir o prédio nas mesmas formas construtivas que era comum a época. As colunas são de madeira maciça, as paredes são de taipa (técnica construtiva antiga que consiste no entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transformava-se em parede), tudo construído artesanalmente. O resultado é surpreendente.

Adentrando temos boa impressão. Somos recebidos pela recepcionista que nos dá as primeiras dicas sobre o passeio. A sala de recepção conta com inúmeros itens de artesanato que a qualquer momento podem ser adquiridos pelo visitante, garantindo peça de decoração que certamente irá lembra-lo dos bons momentos que passou em Ouro Preto e mais ainda da experiência que teve ao conhecer uma mina de ouro construída pelos africanos escravizados.

O passeio é iniciado no espaço seguinte. Somos direcionados para o pátio do atrativo onde, além de receber o capacete de segurança, recebemos também as primeiras instruções. O guia é muito atencioso e explica boa parte da história do bairro (a que contamos a vocês na primeira parte deste artigo). Dá sequência informando o valor patrimonial da mina que estamos visitando e das demais minas que se encontram na região para a economia do ouro que impulsionou Vila Rica a ser grande potência para a época e, mais importante ainda, informa o valor do conhecimento que os negros que ali trabalhavam possuíam. Nesta imagem está a entrada da mina, é um pouco estreita e baixa, mas não julgue pela entrada, dentro dela irá surpreender-se com as galerias!

Sua entrada é peculiar, possuindo mais de 20 metros de paredes construídas em canga e laje feita com grandes placas de quartzito. Suas dimensões chamam atenção pois, os escravos que ali trabalharam possuíam corpos mais avantajados e robustos devido ao trabalho pesado, fazendo-nos imaginar o desconforto que estes pequenos espaços os causavam.

Os portugueses que colonizaram o Brasil detinham diversos conhecimentos mas, não dominavam a cultura extrativista do ouro. A solução mais fácil (e também mais cruel) que decidiram ter à época foi importar mão-de-obra especializada de regiões específicas da África que, desde 3.000 anos antes de Cristo, já conheciam as técnicas de extração subterrânea do ouro.

O coronel Veloso, proprietário da época, chegou a possuir mais de 200 escravos dedicados aos serviços de extração. Isto mostra o tamanho do mercado envolvido e também a abundância do mineral na região.

Os trabalhadores que criaram a Mina Du Veloso são dignos de nosso reconhecimento pois, até hoje a mina apresenta integridade estrutural e possui vários resquícios de elevado conhecimento minerador, a exemplo dos grandes corredores com até três metros de altura.

Um dos grandes diferenciais desta mina é possuir em seu interior uma nascente de água. Esta nascente foi utilizada à época da exploração para o tratamento do minério e extração do ouro. Durante a visita, o lago criado pela nascente está praticamente seco devido à época do ano, mas em maior parte do ano o encontrará cheio como na imagem abaixo.

Outro grande elemento encontrado nesta mina que prova o elevado conhecimento dos trabalhadores são as colunas naturais esculpidas que, além de dar sustentação às paredes da mina, são muito mais confiáveis e duráveis que outras técnicas utilizadas à época como o emprego de dormentes em madeira. Pela imagem podemos perceber a intercessão entre três galerias, uma central onde o fotógrafo está e outras duas a frente, a da esquerda sendo escavada subindo (aclive) e a da direita descendo (declive).

Na imagem seguinte pode-se ter uma noção do tamanho esforço e dedicação exigidos dos trabalhadores pois, além de ser um trabalho árduo, pesado e de longa duração, a mina possuía pouquíssima iluminação. Onde o fotógrafo está localizado possui abundante iluminação e, lá a frente está instalada uma lamparina, iluminação comum na época de extração. Percebe-se que mesmo com toda a iluminação de onde estamos, mal conseguimos enxergar poucos metros à frente. Onde a lamparina está instalada pode-se enxergar menos ainda, fazendo-nos imaginar como era penoso passar dias e dias trabalhando em escuridão profunda.

Outra grande curiosidade encontrada nesta mina são os dutos de ventilação. Os dutos são bem menores que as galerias (bem menores mesmo), possivelmente construídos por crianças escravizadas. Estes dutos encontram a superfície e auxiliam na ventilação.

 

Observações:

  • Para quem chega até o atrativo de carro, é impossível estacionar à frente do atrativo, devendo escolher local adequado nas ruas de acesso e completar o trajeto a pé.
  • Para quem chega até o atrativo de van ou ônibus, deve-se estacionar na avenida central de acesso (Padre Rolim) e completar o trajeto de 500 metros a pé.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe da Mina da Passagem nos recebeu, em especial o Administrador Eduardo Evangelista Ferreira.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos e culturais para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Inteira R$30,00. Meia R$15,00 para: estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 60 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até 6 anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou identidade.
  • Formas de pagamento: somente dinheiro (não trabalham com cheques ou cartão de crédito/débito).
  • Horários de funcionamento: todos os dias das 9 às 18 horas.
  • Endereço: Rua Levindo Inácio André, 400, São Cristóvão, Ouro Preto-MG
  • E-mail: minaduveloso@gmail.com
  • Telefones: (31)3551-0792

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08 mai 2019


Por PAULO AFONSO

 

 

 

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