PASSAGEM - MINA DE OURO


Fala Galera!

 

Iniciamos este Artigo Turístico com a informação mais relevante e que nos dará a real noção do atrativo que estamos visitando. A Mina da Passagem é “a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo”.

É isto mesmo! Qualquer outra mina de ouro que visitarmos hoje em todas as partes do mundo serão menores que a Mina da Passagem. Só esta informação já é suficiente para demonstrarmos sua relevância, sem lembrarmos ainda de toda a história que circunda sua descoberta, construção, evolução e declínio de sua extração.

Voltando às origens de sua descoberta, ao longo do século XVIII os bandeirantes percorriam os rios e seus afluentes bateando o material visivelmente mais rico em busca do ouro de aluvião. Esta técnica consiste no trabalho braçal do garimpeiro ao lavar o cascalho extraído dos rios com a bateia, espécie de bacia em formato de chapéu chinês para separar as pepitas de ouro das pedras do cascalho. Nesta época este trabalho também era realizado por escravos.

Para que consigamos imaginar melhor este cenário, apresentamos abaixo uma foto que encontramos no arquivo do museu da Mina da Passagem. Embora esta foto seja mais recente, nota-se que esta técnica é até hoje utilizada.

Os primeiros bandeirantes e garimpeiros que nessa região chegaram construíram duas povoações, Mariana e Vila Rica (futura Ouro Preto). Apesar da pouca distância que as separa, as duas vilas ignoraram-se por bastante tempo, até que no ano de 1719 os bandeirantes de ambas as vilas encontraram-se ao chegar a região de Passagem, descobrindo as jazidas primárias e dando início à exploração da região.

A descoberta de ouro abundante na região da Passagem atraiu muita atenção, visto que a exploração mineral era a atividade mais lucrativa da época. Dentre os anos de 1729 e 1756 foram concedidas concessões formais para exploração de tais jazidas, iniciando com isto o primeiro grande extrativismo da região. Estima-se que neste período foram utilizados 35 mil escravos para extração e manutenção das minas da região.

A exploração mineral da passagem iniciou-se com quatro lavras, sendo: Fundão, Mineralógica, Paredão e Mata Cavalo. A lavra mais importante de Passagem - a Mineralógica - foi adquirida em 1784 por José Botelho Borges. Após sua morte em 1819, seus herdeiros a leiloaram com diversos acessórios e escravos, sendo então arrematada por Wilhelm Ludwig von Eschwege, também conhecido por Barão de Eschwege. Ele foi um geólogo, geógrafo, arquiteto e metalurgista alemão. No início de sua carreira foi contratado pela coroa portuguesa para proceder ao estudo do potencial mineiro do país, notabilizando-se pela realização da primeira exploração geológica de carácter científico feita no país.

Dada a aquisição e direção da lavra pelo Barão, foi constituída então a primeira empresa mineradora do Brasil, com o nome de Sociedade Mineralógica de Passagem e então estabelece o primeiro plano de lavra subterrânea.

No ano de 1859 o Barão de Eschwege passou os direitos minerários para o inglês Thomas Bawden que constituiu a Anglo Brazilian Gold Mining Company. Esta empresa adquiriu diversas concessões vizinhas, como Paredão e Mata Cavalos, e trabalhou nas jazidas de 1864 à 1873, sendo posteriormente encampada pela The Ouro Preto Gold Mines of Brazil Limited.

A nova empresa operou com grande sucesso até março de 1927, quando foi vendida ao grupo Ferreira Guimarães (banqueiros de Minas Gerais). Foi constituída assim a atual Companhia Minas da Passagem, que operou regularmente até 1954. A conjuntura inflacionária, a falta de capital, o desajuste no preço do ouro e a obrigatoriedade de toda a produção ser vendida ao Banco do Brasil tornavam a lavra economicamente inviável.

Em outubro de 1976 a Companhia Minas da Passagem foi adquirida pelo atual grupo controlador, que diversificou os negócios da empresa. Uma das novas atividades criadas foi a visitação turística à Mina do Fundão (parte do complexo mineiro conhecido como Minas da Passagem), revelando-se um sucesso e funcionando ininterruptamente até hoje.

 

Localização:

Antes que falemos dos detalhes que encontramos durante a visita, vamos dar atenção primeiro à sua localização.

Está legalmente instalada no município de Mariana, mas fisicamente está entre a cidade de Ouro Preto e a já citada Mariana, sendo facilmente acessada através das duas.

Para chegarmos até o atrativo é necessário escolher entre veículo próprio ou ônibus, este alerta fazemos pelo fato do atrativo estar afastado 7,6 km do centro de Ouro Preto, cerca de 16 minutos de carro, e 7 km do centro de Mariana, cerca de 12 minutos de carro.

Escolhendo visitar o atrativo de ônibus, poderá verificar os horário através do site da Viação Transcotta. O ônibus para na porta, sendo necessário andar poucos metros para acessar a aportaria.

Veja abaixo o trajeto realizado entre Ouro Preto e a Mina da Passagem.

 

Agora vamos apresentar todos os diferenciais que encontramos durante nossa visita a esta companhia que, um dia já foi cenário de terror com o trabalho escravo, mas hoje é só diversão!

Para começar, a recepção já é uma graça, o prédio possui pátio muito arborizado, já sendo ponto de partida para as brincadeiras da molecada, enquanto os pais adquirem o convite.

 

Após adquirir os ingressos para o passeio na mina de ouro, o visitante tem que caminhar cerca de 300 metros até a entrada do atrativo. O trajeto é um pouco longo mas, a caminhada é super gostosa. Ao longo do trajeto passamos pelas antigas instalações industriais e podemos visualizar um mini museu com alguns equipamentos utilizados na época de extração.

 

Chegando à entrado da mina temos uma bela surpresa, a descida até o salão principal é feita a bordo de um Trolley, espécie de vagão movimentado por cabo. O percurso tem 315 metros de extensão e chega a 120 metros de profundidade.

 

Vale lembrar que o carrinho (Trolley) é o mesmo usado pelos ingleses a quase 200 anos, desde o início da extração industrial na mina. Durante o trajeto já podemos observar a robustez da estrutura da mina, mais larga, mais alta e bem ventilada, diferente das minas de ouro construídas apenas por trabalho escravo, sendo esta segunda proporcional apenas ao corpo dos escravos que ali entravam para a extração. Veja a matéria que fizemos na MINA JEJE, uma destas minas construídas apenas por escravos no início do século XVIII.

 

Chegando ao salão principal podemos observar nitidamente as marcas de ferramentas nas rochas, os resquícios de trilhos cravados no chão por onde os vagões passavam e também parte do comprimento da mina que está iluminado.

 

Na primeira etapa do trajeto interno a guia apresenta parte da mina acessível aos turistas, explica a forma como o ouro é apresentado nas rochas e o método de extração utilizado na época. Vale lembrar que, foram retirados cerca de 35 toneladas de ouro durante o período de extração da mina. Observem ao lado direito duas perfuratrizes pneumáticas originais, utilizadas durante os anos de extração para criar furos onde eram postos os dinamites, possibilitando o avanço da mina.

 

Outra observação que devemos fazer é quanto a sua estrutura, notando que todas as colunas de sustentação interna são naturais, ou seja, feitas da própria rocha, o que demonstra elevado grau de conhecimento dos dirigentes.

 

Na segunda etapa do passeio somos conduzidos por túnel mais estreito onde possivelmente ocorriam trabalhos manuais. Este túnel encerra em um belo lago de água cristalina. Este lago é constituído por água mineral proveniente do lençol freático. Enquanto a mina estava ativa esta água era bombeada para fora, possibilitando que os mineradores atingissem níveis negativos ao lençol. Com a descontinuidade das atividades mineradoras a água tomou conta de grande parte dos 11 quilômetros de extensão dos túneis.

 

Visto que parte da mina está inundada, os aventureiros logo trataram de dar um belo fim a estes túneis. Hoje a empresa Divegold realiza mergulhos regulares com profissionais treinados e possui estrutura completa para receber tanto alunos, quanto mergulhadores experientes. O trajeto de mergulho mais longo chega a 2 km, com profundidade de 240 metros.

 

Observações:

  • Para quem chega até o atrativo de carro, é possível estacionar no pátio atrás da recepção. O estacionamento é gratuito e comporta veículos de grande porte.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe da Mina da Passagem nos recebeu.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos e culturais para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Inteira R$88,00. Meia R$44,00 para: estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 60 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até 6 anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou identidade.
  • Formas de pagamento: somente dinheiro (não trabalham com cheques ou cartão de crédito/débito).
  • Horários de funcionamento: todos os dias das 9 às 17 horas.
  • Endereço: Rua Eugenio Eduardo Rapallo, s/n, Passagem De Mariana - Mariana
  • Telefones: (31)3557-5000

Site - Facebook - Instagram - Traçar Rota

Seja o primeiro a avaliar!


Adicionar aos favoritos

21 jan 2019


Por Paulo Afonso

 

 

 

Anuncie