JEJE – MINA DE OURO


Fala Galera!

 

Este artigo turístico será diferente de todos os demais, afinal, o motivo gerador desta mina de ouro é o mesmo motivo que trouxe toda atenção para Minas Gerais. Este motivo é a ganância dos bandeirantes portugueses, migrantes paulistas e baiano. O desejo de riqueza e abundância foi obviamente o que subsidiou toda a criação da antiga Vila Rica, hoje chamada de Ouro Preto.

O início desta história de fato é romântica e até corajosa, mas também maldosa e repugnante. Altero um pouco a visão destes fatos para então lhes inserir no real cenário cotidiano vivido pelos mineradores e escravos.

A Mina Jeje que estamos apresentando é uma típica mina de ouro do século XVIII, toda construída pelo trabalho humano com auxílio apenas de alguns instrumentos rudimentares como pás, picaretas, marretas e lamparinas.

A cidade de Ouro Preto conta com um número impressionante de minas de ouro, cada uma com sua especificidade e história. Ao todo são mais de 2000 (duas mil) minas de ouro em toda Ouro Preto (cidade sede e seus 12 distritos), isto mesmo que você leu, este número realmente é enorme, ainda mais considerando a dificuldade que todos encontravam para chegar até o vilarejo (ainda Vila Rica), estudar a topografia do terreno, arquitetar um plano para exploração, encontrar escravos e capatazes e, aí sim, iniciar as atividades. Nossa... Dá para ficar cansado só de imaginar.

Voltando para a atualidade, hoje a cidade conta com apenas seis minas em funcionamento, todas obviamente voltadas para o turismo. As minas de ouro são hoje um dos grandes atrativos da cidade, sendo referência em recepção e segurança.

A imagem abaixo mostra a faixada do atrativo, sendo facilmente identificado visto sua grande decoração.

 

A localização da Mina Jeje traz ótima oportunidade para realizar um passeio diferente dos convencionais. Instalada em um bairro tradicional da cidade, ela é de fácil acesso tanto para quem vai de carro quanto para quem deseja ir à pé. A caminhada da Praça Tiradentes até a mina é de cerca de 20 minutos, lembrando que para quem está à pé, dependendo da rota que seguir encontrará alguns morros, e para quem irá de carro a rua do atrativo é sem saída. Abaixo estão as rotas a serem seguidas à pé.

 

O passeio começa no primeiro passo a dentro da portaria. O visitante certamente será abordado por algum dos profissionais que ali trabalham.

Informamos ao profissional que nos abordou o desejo em conhecer a mina e este nos indicou uma sala exclusiva para os visitantes. Nesta sala recebemos uma aula de história. O responsável pela transmissão das informações discorre sobre a criação da Vila Rica, a história do ouro, sua tributação e até o esbanjo dos monarcas neste período. Por último e não menos importante, transmite informações sobre os escravos que ali trabalharam. É interessante ressaltar que, os escravos para ali levados eram de uma região específica da África chamada “Costa do Ouro”. Em sua região de origem quando ainda livres eles já praticavam a extração de ouro, por este motivo era uma mão-de-obra cobiçada e valiosa. São estes “escravos” que, de certa forma, são os grandes possuidores de conhecimento de engenharia, geologia e tudo mais que envolve estas façanhas arquitetônicas para a época.

 

Ocorrida a iniciação, recebemos os equipamentos de proteção individual (capacete e touca) e somos direcionados para a entrada da mina. De certo a entrada me espantou, ela está bem aos olhos de quem chega no atrativo, de frente para a portaria, mas é necessário estar atento para percebe-la de tão singela que é.

 

Já dentro da mina o guia nos mostra o primeiro detalhe, existe um ressalto ao longo de uma das paredes que anteriormente servia para que os escravos deixassem suas ferramentas apoiadas, talvez para facilitar o controle e até mesmo para evitar o extravio de ouro escondido em alguma delas.

 

Adentrando a mina esperávamos um ambiente mais apertado e até claustrofóbico, mas na verdade é bem tranquilo, imagino que seja pela iluminação abundante e também pela segurança que os guias transmitem.

A primeira foto abaixo apresentam a extensão do túnel central até a nossa primeira parada, onde recebemos mais informações. Obs.: estas marcas na parede são as originais feitas pelos escravos com suas ferramentas.

A segunda foto apresenta um grupo de visitantes, no intuito de demonstrar a acomodação recebida.

 

A largura do túnel central do percurso de visitação é de cerca de 80 centímetros com pequenas variações para mais e para menos, a altura mínima é de 80 centímetros e a máxima chega a 4 metros. A foto a seguir apresenta a única passagem realmente estreita que temos que abaixar um pouco para conseguirmos passar. Volto a salientar que, mesmo sabendo que tudo ao redor é minério e terra nós conseguimos ficar tranquilos. Realmente dá para curtir sem medo.

 

Embora a mina obviamente seja de ouro, existe um subproduto chamado “Ocre” que também era extraído junto a todo material estéreo. Este Ocre é uma argila colorida que era muito utilizado para pintar faixadas de casas e também igrejas, podendo possuir tons amarelados ou avermelhados. Perceba na imagem que segue os veios de ocre em uma das paredes da mina.

 

Um ponto interessante é que dentre os diversos túneis da mina, o que apresentamos na imagem a seguir é o único que desce. Este fato torna-se relevante por dois motivos, o primeiro é considerando sua extensão, são cerca de 50 metros verticais (comparável a um prédio de 17 andares), a inclinação é acentuada e em avaliação visual são cerca de 45º, o segundo motivo é pelo risco de encontrar durante a escavação um bolsão d’água, fato que poderia matar vários trabalhadores.

Com toda dificuldade que podemos imaginar, descer e subir até que é possível mas, extrair minério em um túnel tão diminuto e de cabeça para baixo, mesmo na atualidade seria quase impossível. O que nos leva a observar toda a bravura e inteligência dos escravos que aqui trabalharam.

 

A caminhada continua e chegamos a um grande salão. Este espaço é proveniente de um desabamento que a mina sofreu enquanto desativada, o que hoje chega a ser conveniente por servir para acomodação de todos os participantes da visita e continuidade das explicações do guia. Comumente a visita se encerra aqui, mas a mina continua por vários túneis que podem ser avistados deste salão.

 

Fato interessante sobre os túneis que dão sequência a mina é que são extremamente pequenos, isto se deve a um dado não muito feliz. Estes túneis que daqui partem foram criados por crianças. Isto mesmo que você leu. Na época da escravidão uma criança que apresentasse condições de trabalho já era utilizada na mineração. Algumas pesquisas descobriram que as crianças começavam a trabalhar na mineração a partir dos seis anos de idade.

Pelo fato de iniciarem o trabalho tão cedo, pela insalubridade e todos os demais fatores que envolvem risco nesta atividade, a expectativa de vida era de apenas 25 anos.

Na imagem que segue está um dos diminutos túneis construídos pelas crianças escravas.

 

Encerrado o passeio, saindo da mina e voltando para o céu azul, podemos curtir algumas lojas de conveniência instalados dentro do atrativo. A primeira imagem que segue abaixo apresenta a loja “Imperial Gemas – Fábrica de Joias”, a imagem na sequência apresenta a loja “Cachaçaria Sobe Uai”, e na terceira e última o pátio com a lanchonete “Elas Artesanatos e Presentes”.

 

Observações:

  • O percurso para visitação é de 160 metros, mas a mina com todas suas ramificações possui um total de 760 metros de comprimento.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • O atrativo recebe agendamento para atendimento exclusivo.
  • A rua onde o atrativo está instalado é sem saída, portanto tenha cuidado e paciência para estacionar.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe da Mina Jeje nos recebeu, em especial ao guia Deivid.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos e culturais para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Inteira R$30,00. Meia R$15,00 para: professores, estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 65 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até sete anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou identidade, Ouro-pretanos que apresentarem comprovante de residência ou RG, guias turísticos devidamente credenciados e mediante apresentação de crachá vinculado a instituição de turismo.
  • Horários de funcionamento: Aberta para visitação todos os dias, das 9 às 17 horas.
  • Endereço: Rua Chico Rei, 371, Alto da Cruz – Ouro Preto
  • E-mail: deividfnx21@gmail.com
  • Telefone: +55(31)98591-8375

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30 jul 2018


Por Paulo Afonso
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