INCONFIDÊNCIA – MUSEU


Fala Galera!

 

Neste artigo vamos comentar sobre o que encontramos em visita ao Museu da Inconfidência, mas antes devemos lembrar suas origens, o motivo pelo qual sua edificação foi incitada e, também, sua utilização ao longo do tempo.

Este prédio imponente, um dos maiores da cidade até hoje, teve o início da sua construção no ano de 1785, levando 70 anos para ser concluído. O objetivo inicial era abrigar a Casa de Câmara e Cadeia. Na parte superior (segundo andar) funcionou durante 25 anos a Câmara de Vereadores. Já na parte inferior (primeiro andar) funcionou a Cadeia Pública, que após a saída da Câmara de Vereadores ocupou todo o prédio até o ano de 1936. Após esta data a prisão foi transferida para a cidade de Neves, próxima a Belo Horizonte, e neste mesmo ano começou a ser concebido o museu.

Sua localização (destacado em vermelho) certamente é uma das de mais fácil acesso, estando instalado a frente da Praça Tiradentes (destacado em amarelo), bem no centro histórico da cidade. Nas proximidades encontramos vários outros atrativos que podemos visitar no mesmo dia, aproveitando melhor o tempo e conhecendo mais a nossa querida Ouro Preto. A exemplo citamos a Igreja Nossa Senhora do Carmo (clique e veja a matéria completa), o Museu do Oratório (clique e veja a matéria completa), o Teatro Municipal de Ouro Preto mais conhecido como Casa da Ópera (clique e veja a matéria completa), a Feira de Pedra Sabão bem na rua de baixo (clique e veja a matéria completa), Museu Casa Guignard (clique e veja a matéria completa) e por último o Anexo I do próprio Museu da Inconfidência (clique e veja a matéria completa).

 

Com a citada transferência da Cadeia e desocupação do prédio, o Presidente Getúlio Vargas decidiu trazer da África os restos mortais dos inconfidentes que para lá foram deportados e construir um Panteão (lugar destinado a guardar restos mortais de pessoas notáveis), dando início a concepção do museu. Hoje o Museu é dedicado a preservação e memória da Inconfidência Mineira (conspiração contra a Coroa Portuguesa no fim do século XVIII), além de guardar também um rico acervo da sociedade mineira no período do Ciclo do Ouro, incluindo obras de grandes artistas como Aleijadinho e Mestre Ataíde.

Para deixar mais claro, a Inconfidência Mineira foi uma conspiração contra a Coroa Portuguesa no fim do século XVIII, insatisfeitos com a carga excessiva de tributos e comércio que não conseguia expandir graças às restrições severas impostas por Portugal, um grupo formado por militares, religiosos e civis, representantes da elite local, passaram a se reunir e projetar caminhos para uma futura independência do Brasil. O movimento acabou sendo descoberto e debelado em 1789 e, no dia 21 de abril de 1792 Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), considerado líder da revolta, foi executado na forca.

Guiaremos o circuito de nossa visita em duas divisões, a primeira pelos andares, e a segunda pelas salas.

 

1º ANDAR:

 

Sala das Origens:

Esta sala apresenta as origens de Vila Rica, primeiro nome dado a cidade de Ouro Preto. Nela percebemos elementos de um momento chamado “século mineiro da história do Brasil”, o acervo contempla as questões estruturais ligados à formação e sobretudo a relação metrópole/colônia. Como exemplo podemos perceber a grandiosa escultura em madeira localizada na parte superior central, intitulada Santíssima Trindade, feita por Francisco Xavier de Brito, lembrando a força da Igreja que foi a grande parceira da monarquia portuguesa, estando ilustrada e posicionada em lugar central por quatro quadros, sendo: Dona Mariana Vitória (Rainha de Portugal), Dom Pedro III (Rei de Portugal), Dona Maria I (Rainha de Portugal) e Dom José (Príncipe do Brasil), todos estes obras de João Lopes Maciel e descritos em ordem da esquerda para a direita.

Estão expostos do lado direito alguns objetos indígenas que fazem referência a penetração do território nacional, pois sua ocupação dependia basicamente desta mão-de-obra para ser alcançada.

Esta sala possui dois Marcos de Sesmaria (duas grandes pedras erguidas ao centro), que representam o marco territorial que demarcava a antiga Vila Rica. Estes marcos foram resultado de um ato de intervenção da Coroa Portuguesa, visto os grandes conflitos que ocorriam entre paulistas, portugueses e baianos, todos em busca do ouro encontrado na região. Nesta época já moravam por ali cerca de 40 mil pessoas. Imaginem a guerra que se instalava sem nenhuma (ou quase nenhuma) regulação.

 

Sala da Construção:

Nesta sala podemos observar várias ferramentas que auxiliavam na construção dos casarios da época. A construção de Vila Rica mostra a força que está por trás da questão aurífera, elemento chave para a existência da vila e atração de tamanha atenção na época. A região mineira propiciou a utilização da pedra sabão e madeira na concepção desta vila que, até hoje, possui vários exemplares de casas cuja cantaria utiliza estes materiais, o que demonstra um domínio tecnológico elevado para a época.

 

Sala dos Transportes:

O transporte da época era concebido basicamente por animais. Nesta sala estão expostos alguns objetos tanto utilizados por eles quanto por seus passageiros/condutores. A exemplo citamos as selas masculina e feminina, visivelmente diferentes e hoje em dia a segunda quase extinta. Estão expostos também alguns exemplares de armamento, visto sua grande utilização por conta dos perigos encontrados, tanto por conta dos animais selvagens quanto por conta dos assaltos, e obviamente pela desregulação da época. Na imagem seguinte percebemos a Liteira, meio de transporte suportado por dois animais com maior conforto aos ocupantes.

 

Sala da Mineração:

Vale lembrar que, a mineração é o “coração” da criação da Vila Rica, e é em torno das suas relações que se estabelece todo um contexto próprio que possibilita a Inconfidência Mineira. Nesta sala temos vários elementos ligados à mineração, apresentando os aspectos que a envolveram.

Esta sala demonstra as técnicas e ferramentas utilizadas para encontrar ouro nos rios (ouro de aluvião), na superfície das montanhas (decantação) e também no interior das montanhas (minas subterrâneas).

Esta sala conta também com alguns elementos utilizados para repressão dos escravos. Estes elementos representam uma parte nada glamorosa da nossa história, mas vale lembrar que, é apenas com a sabedoria e criatividade dos negros que hoje, contamos com tamanha beleza e bondade em nossa sociedade. Deixamos aqui nosso respeito e agradecimento a todos que deixaram suas vidas nesta árdua e sofrida atividade.

 

Sala da Inconfidência:

O período do absolutismo real é marcado pela ausência dos direitos individuais e, esta sala toda recoberta em branco faz alusão a influência do iluminismo (movimento cultural da elite intelectual europeia do século XVIII que vem contrariar o pensamento absolutista) sobre os inconfidentes, sendo estes os personagens principais da mudança necessária para a nossa independência.

Na imagem que segue vemos duas traves que compunham a forca onde Tiradentes foi executado e, na imagem que acompanha estão um boticão e um relógio pertencentes a este personagem.

Para os amantes da história, esta peça contida na imagem que segue é sem dúvidas a mais importante deste museu, pois é nela que está contida a sentença deferida pela rainha dando fim a vida de Tiradentes. São nestas páginas que a Coroa Portuguesa descreve com requinte de crueldade todos os detalhes para a condenação, morte e tentativa de humilhação do líder do movimento. Sabemos que ao longo do tempo sua intenção de amedrontar a população com este ato felizmente não surtiu efeito esperado. Nestas páginas estão o domínio do nosso povo, e em sua reação está a liberdade.

 

Sala Panteão da Inconfidência:

Esta é a primeira sala a funcionar no museu. Como já citado anteriormente, Panteão é um lugar destinado a guardar restos mortais de pessoas notáveis, e neste estão os ossos identificados de 16 inconfidentes. Nas lápides estão escritos os nomes de cada um deles.

A título de curiosidade, no pátio central é possível visualizar o interior da cela “solitária”. Fria, úmida e com pouca ou nenhuma iluminação. É de arrepiar vê-la e imaginar quanto sofrimento já passou por ali.

           

Sala Império:

Com a proclamação da independência, Ouro Preto é elevada à categoria de Imperial Cidade em 1823, centro administrativo, político e cultural de Minas. A condição de capital da Província impunha acolher a experiência e os valores de civilidade europeia, ditados pelo gosto francês. Foram realizadas várias mudanças e implantações, a exemplo a instalação de agências bancárias, o telefone, a ferrovia, o sistema de canalização e esgoto, criação dos institutos científicos e de educação, dentre outros. A sociedade de forma integral realizou crescimento orgânico. Ouro Preto assimilaria o papel de núcleo irradiador de conhecimento, posicionando-se em direção aos novos conceitos de civilização de progresso.

 

Sala Vida Social:

A partir da segunda metade do século XVIII, Vila Rica tornara-se um centro civilizado. Apegada às demonstrações de prestígio, a elite colonial não dispensava o apuro no vestir, os requintes no mobiliário e no serviço de mesa.

Observação interessante para esta sala. Lembrando que anteriormente eram utilizadas como celas, nesta em especial eram destinados os presidiários mais perigosos. Para auxiliar seu controle, esta possui dois pontos para observação por parte dos guardas para os detentos. Outro ponto interessante é que as refeições e alimentos eram preparados dentro da cela, sendo o destaque em número 1 o espaço destinado a este fim com saída para exaustão dos gases atrás da pedra, o de número 2 a pia para utilização da água e o número 3, por último e não menos importante o banheiro (chamado de latrina). Isto mesmo que imaginaram, preparava-se os alimentos, utilizavam a água e faziam as necessidades em um mesmo local. Mais estranho ainda é pensar que este meio é moderno para a época por utilizar água encanada e saneamento rudimentar.

 

2° ANDAR

 

Sala do Aleijadinho:

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, nascido em Vila Rica no ano de 1730, filho de escrava com um mestre-de-obras português e falecido em 1814. Iniciou sua vida artística ainda na infância e se tornou um dos maiores escultores, entalhadores e arquitetos do brasileiro no período colonial.

 

Sala Ataíde:

Manoel da costa Ataíde, também conhecido como Mestre Ataíde, foi um importante pintor e escultor do período colonial. Em suas mãos a pintura colonial mineira atingiu sua expressão mais criativa. Suas pinturas são reconhecidas pelas cores exuberantes e, o artista inovou ao introduzir figuras mestiças nas representações de personagens de cenas bíblicas.

 

Sala Pintura e Escultura:

A igreja Católica foi a grande promotora da arte luso-brasileira do século XVIII. Nesta sala dois momentos da pintura Cristã aparecem representados. São os estudos para figuração dos apóstolos, e as pinturas eruditas dos painéis em óleo sobre madeira. Em sua maioria as obras são de autoria anônima.

 

Observações:

  • O museu possui ainda as salas: Arte e Religião, Triunfo Eucarístico, Associações Leigas, Oratórios e Mobiliário.
  • O museu sofreu uma recuperação em 1974.
  • O museu possui acessibilidade para pessoas com necessidades especiais, possui cadeira com esteira para sublevar a escadaria da portaria, o interior dispõe de elevador, existem vigilantes disponíveis para auxiliar caso haja necessidade, existe explicação em braile para deficientes visuais e áudio guia em três idiomas, além do vide guia para deficiente auditivo.
  • Todas as informações contidas neste artigo foram colhidas em visita ao atrativo.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe do Museu da Inconfidência nos recebeu, em especial a diretora Deise.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos e culturais para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações importantes:

  • Entrada: Inteira R$10,00. Meia R$5,00 para: professores, estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 65 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até sete anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou identidade, Ouro-pretanos que apresentarem comprovante de residência ou RG, guias turísticos devidamente credenciados e mediante apresentação de crachá vinculado a instituição de turismo.
  • Horários de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas.
  • Endereço: Praça Tiradentes, 139, Centro - Ouro Preto
  • E-mail: mdinc@museus.gov.br
  • Telefone: +55(31)3551-1121 ou (31) 3551-5233

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16 jul 2018


Por Paulo Afonso
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