CASA GUIGNARD - MUSEU


 

 

Fala Galera!

 

Esta semana visitamos o Museu Estadual dedicado ao artista Alberto da Veiga Guignard.

Para falarmos sobre o que encontramos por lá, entendo ser interessante conhecermos quem foi o artista que hoje tem este lindo museu dedicado a sua obra.

"Guignard", assim chamado pelos íntimos, nasceu em Nova Friburgo / RJ em 1896. Aos 11 anos, mudou-se para Europa com a família. Lá permaneceu por mais de vinte anos, estudando desenho e pintura na Itália e Alemanha. De volta ao Brasil, em 1929 fixou-se no Rio de Janeiro, instalando ateliê no Jardim Botânico. No ano seguinte, iniciou carreira de professor de arte, ensinando desenho e pintura para crianças na Fundação Osório. Neste período Guignard também lecionou na cadeira de desenho, pela Escola de Belas Artes da Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro em 1931. Em 1940, transferiu-se para Itatiaia / RJ, onde passou curtas temporadas. Associado a um grupo de jovens artistas, em 1942, organizou o ateliê coletivo, chamado a Nova Flor de Abacate. A convite de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, em 1944 mudou-se para a Capital mineira. À frente da escola de pintura que hoje traz seu nome, Guignard teve papel decisivo na formação da geração de artistas modernistas mineiros. Viajava para Sabará, Lagoa Santa e, com mais frequência, para Ouro Preto, cidade que lhe inspirou em muitas obras e onde residiu nos últimos meses de sua vida. Morreu em Belo Horizonte em 1962 e está sepultado na Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto. É considerado um dos maiores pintores brasileiros do século XX.

 

O Museu Casa Guignard possui acervo diversificado, compreendendo pinturas, desenhos, objetos de uso pessoal e de trabalho, fotografias e documentos textuais. Neste conjunto, a capacidade criativa do Guignard pintor se revela em pinturas e desenhos aplicados sobre variados suportes – papel, madeira, tecido – que transitam do convencional ao inusitado com extrema liberdade.

 

Para iniciarmos a visita, primeiro mostraremos a rua onde o museu está localizado. Pode parecer estranho, mas de tão bonita é a rua onde está instalado, este pode ser facilmente confundido ou até mesmo passar despercebido. Fiquem atentos!

Esta é a fachada (levemente destacada) pintada na cor branca com as janelas vermelhas. É uma edificação do século XVIII muito bem conservada.

As informações de contato e link de localização estão disponíveis no final da matéria.

As obras estão divididas em 11 salas ao longo dos três andares, falaremos de cada uma na sequência:

 

Andar superior

Exposição de Longa Duração:

Nesta sala fica clara a versatilidade do artista e, mais que isto, a necessidade de imprimir sua identidade em tudo que o cercava. A exemplo disto estão expostas a cama do século XVIII e o violão, lembrando que diante dele, tudo era suporte para pintura.

Na mesma sala está exposta a obra "Paisagem Imaginária", datada de 1947.

 

Sala Cartões de Guignard para Amalita:

Entre os anos de 1932 e 1937 Guignard dedicou um conjunto de cartões à Amalita Fontenelle, pianista por quem foi apaixonado, e também às suas irmãs, Anita e Lola. As técnicas variam entre nanquim, aquarela e lápis de cor.

Nunca enviados às destinatárias, os cartões foram organizados pelo próprio artista em um álbum, selando cinco anos de forte e dolorida paixão não declarada.

Nota-se a sala intencionalmente escurecida, com seus vidros tapados e iluminação especial, tudo na intenção de preservar a obra concebida em papel comum, o que demonstra a despretensão do artista.

 

Andar térreo

Retratos:

Guignard foi, sem dúvidas, um dos maiores retratistas da arte brasileira. Ele nunca se prendeu a soluções estereotipadas, procurando sempre uma maneira nova de abordar seu modelo, criando-lhe um ambiente, interior ou exterior, uma atmosfera de silêncio, de solidão ou de espanto, uma aura.

Cada obra é distinta, ampliando o espaço em torno do retrato, imprimindo fusões entre retrato e paisagem, flores, natureza morta, decoração e arquitetura.

 

 

Guignard ilustrador:

A sólida formação técnica adquirida pelo artista entre 1917 e 1922 na Real Academia de Belas Artes de Munique possibilitou que ele transitasse pelos mais variados campos do fazer artístico. Assim, não se limitando à pintura, seu legado também nos traz importantíssimas contribuições como desenhista e ilustrador gráfico, o que por si só bastaria para garantir sua imortalidade artística.

Dentre os livros ilustrados por Guignard estão: Manuel Bandeiras: Poemas traduzidos; Alexandre Konder: Os Halifax; Tomás Gonzaga: Marília de Dirceu; Lúcia Machado: Passeio a Sabará; Celina Ferreira: Hoje Poemas.

Guignard também colaborou com vários jornais na qualidade de ilustrador, principalmente dos suplementos literários, tão importantes na primeira metade do século passado (veja mais detalhes desta vertente na seção "Exposição Temporária").

 

Objetos:

Esta seção expõe alguns de seus objetos utilizados no cotidiano, e também aqueles guardados com zelo e carinho, apresentando sua simplicidade e notoriedade, visto a diminuta necessidade de bens materiais e os numerosos adornos de reconhecimento recebidos.

Nesta seção estão expostas: paleta de pintura do artista, registro provisório de professor, óculos e o livro de dedicatórias (conhecido como Livro de Ouro, onde os amigos do artista lhe dedicaram poemas, desenhos e outras homenagens).

Nesta seção estão expostas: correspondência envia por Alberto para sua amiga Lúcia Machado, certidão de casamento de Guignard com Anna Doring, telegrama enviado por Juscelino Kubitschek a Alberto, medalha "Personalidade de 1959 - Artes Plásticas" e por último estudo para figurinos.

 

Fotografias:

O acervo de fotografias de Guinard do Museu é bem expressivo, contando com mais de 230 imagens, com destaque para o conjunto de 145 registros feitos em Ouro Preto, no ano de 1962, pelo fotógrafo Luiz Alfredo, retratando o artista naqueles que viriam a ser seus últimos dias de vida, no conjunto contam, ainda, fotos do funeral em Belo Horizonte e Ouro Preto registrado posteriormente pelo mesmo fotógrafo.

 

Andar Inferior

Cronologia da vida e obra de Guignard:

Esta seção apresenta toda a vida e obra do artista em orden cronológica.

 

Exposição temporária:

Ao longo de sua carreira Guignard colaborou com vários jornais na qualidade de ilustrador, principalmente dos suplementos literários, tão importantes na primeira metade do século passado.

A mais conhecida destas colaborações é o chamado Álbum Guignard, compostos por desenhos feitos pelo artista em suas viagens pelo Brasil, de ilustrações de poemas e de textos literários, que o suplemento literário do jornal A Manhã publicou esparsadamente entre os anos 1942 e 1949.

Apesar do nome, o Álbum não é uma publicação única, um volume, livro ou revista que reúna os referidos trabalhos, mas o nome dado à seção do jornal dedicada ao artista.

 

Pátio com chafariz atribuído a Aleijadinho + Jardim de Guignard:

Um dos temas recorrentes na obra de Guignard é o vaso de flores. Neste espaço do jardim do Museu é apresentada aos visitantes uma seleção de reproduções de obras desta natureza, para que possamos apreciar sua intensidade, sua plasticidade e seu rico colorido. Pode-se verificar que no jardim de Guignard é sempre primavera.

Uma peça interessantíssima e que não pode passar despercebido é este chafariz, atribuído ao artista Aleijadinho.

Esta obra contava com uma escultura da "Boa Samaritana", a qual foi vendida por um antigo morador da residência. Felizmente a escultura foi recuperada e está sendo mantida em segurança pelo Museu da Inconfidência, enquanto os tramites legais são resolvidos. Após a situação legal ser resolvida a escultura será devolvida para sua morada, a qual nunca deveria ter sido retirada.

 

Observações:

  • Vale lembrar que o Museu Casa Guignard realiza oficinas de artes dos mais variados tipos (artes plásticas, retrato e autorretratos, dentre outros). Fiquem ligados na programação.
  • Visitas guiadas devem ser previamente agendadas.
  • Para receber mais dicas como esta, inscreva-se no boletim informativo clicando no botão azul abaixo.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe do Museu nos recebeu, em especial o curador Gélcio Fortes.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham. Gratidão.

 

Informações importantes:

  • Entrada GRATUITA.
  • Horários de funcionamento: terça-feira a sexta-feira, das 12 às 18 horas. Sábado, domingo e feriados, das 10 às 15 horas.
  • Endereço: Rua Conde de Babodela (famosa Rua Direita), 110, Centro - Ouro Preto
  • E-mail: museuguignard@cultura.mg.gov.br
  • Telefone: (31)3551-5155

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Tenham um bom passeio e até a próxima!

Avaliações

1 Avaliação
Leticia Mayumi Justus Sakaguti
Santos, SP
Gratidão pelo material

Adorei a indicação e todo o conteúdo explicitando o contexto histórico e biográfico.

setembro 2018

Obrigada pelo comentário. Ficamos felizes em saber que gostou e nos motiva ainda mais!

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