CASA DOS INCONFIDENTES - MUSEU


Fala Galera!

 

Nesta matéria conheceremos o Museu Casa dos Inconfidentes, mas para entendermos seu significado e relevância, devemos primeiro recordar a importância do movimento de Inconfidência Mineira e a relação desta casa com ele. Sabemos que a história embora interessante e relevante para nosso entendimento como sociedade, também é longa e um pouco cansativa. Para quem está com um pouco de pressa, pule direto para a parte “LOCALIZAÇÂO”, já para quem prefere imergir na trajetória dos inconfidentes na busca da nossa liberdade, tenham uma boa leitura!

Em acompanhamento cronológico, os primeiros bandeirantes chegaram a região de Vila Rica (atual Ouro Preto) na segunda metade do século XVII (1650 a 1700).

Em 1711 pequenos arraiais já apresentavam grande impulso populacional, devido à elevada atenção que o ouro atraia para a região, sendo então reunidos num só núcleo.

No ano de 1717 foi criada a primeira casa de fundição em Minas, possibilitando tributar o ouro extraído na região de forma mais precisa, evitando assim possíveis fraudes. Até este momento os mineradores que pagavam os impostos sobre a extração do ouro recebiam certificados de pagamento e, em fiscalização, quem não exibisse este documento teria todo seu ouro confiscado.

Em 1719 Dom João V mudou as regras para a cobrança do imposto, proibindo a circulação de ouro em pó. Desde então quem fosse apanhado com ouro em pó e não estivesse se dirigindo para as Casas de Fundição seria tratado como contrabandista, tendo seus bens confiscados e podendo até mesmo ser deportado para a África. Era mais uma tentativa de eliminar o contrabando e possíveis fraudes que, evidentemente, não deu certo. Todo o ouro extraído das minas passou a ser levado até as casas de fundição onde era pesado e transformado em barras, recebendo o selo real. Durante o processo de fundição descontavam-se automaticamente não só os vinte por cento referente ao “quinto” (nome dado ao imposto sobre a extração do ouro) para o Reino de Portugal, como também todas as despesas deste processo. Tão logo as casas de fundição começaram a funcionar, Dom João V teve a grata satisfação de ver a sua receita real aumentar enormemente.

Em 1723 Vila Rica já era enorme e recebia o título de Capital das Minas Gerais.

Em 1724 foram arrecadadas em torno de 36 arrobas de ouro (540 quilos). No ano seguinte, já com a vigência da obrigatoriedade de fundição do ouro e o recolhimento do quinto, a arrecadação deu um salto extraordinário, subindo para 133 arrobas de ouro (1995 quilos). Passada a euforia inicial dos primeiros anos de elevada arrecadação, Dom João V volta a achar que seus súditos estavam sonegando impostos, não importando o quanto mais ouro arrecadassem.

Com tamanha desconfiança, as casas de fundição caíram em desuso e, no ano de 1732 a mando da coroa portuguesa foi adotada nova forma de arrecadação, desta vez sendo “paga por cabeça”, para cada escravizado deveria ser paga a quantia de 17 gramas de ouro a cada seis meses.

Em 1749 foi arrecadado 120 arrobas de ouro (1800 quilos), apresentando baixa visto os anos anteriores, levando assim a reestabelecer o regime dos quintos e reutilizando as casas de fundição.

Mesmo com toda a cobrança de impostos Vila Rica continua crescendo e, até a metade do século XVIII se tornaria a maior cidade Brasileira.

Vários anos passaram até que em 1783 D. Luís da Cunha Meneses foi nomeado como governador. A coroa portuguesa nesta época estava descontente com as sucessivas baixas de arrecadação, insistindo na ideia da existência de contrabando e na desconfiança de seus súditos, ao mesmo tempo que negava o já anunciado esgotamento das minas de ouro. Seguida a nomeação do novo governador foi implantada uma cota mínima de arrecadação onde, a quantia mínima por ele aceita seria de 100 arrobas de ouro (1500 quilos). Caso este valor não fosse atendido seria lançada a “derrama”, que é simplesmente uma contribuição (forçada e) coletiva onde todo e qualquer morador da capitania participaria, sendo este minerador ou não. Explicando ainda mais, na cobrança da “derrama” a coroa portuguesa poderia invadir qualquer propriedade e confiscar quaisquer bens até satisfazer a nova imposição do governador. Por vários anos seguidos, visto o claro esgotamento das minas, a cota mínima de arrecadação não foi atendida, sendo a dívida acumulada e aumentando consigo as pressões do império sobre o povo.

Estes fatos atingiram expressivamente a classe mais abastada de Minas Gerais (proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares) que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar. O movimento de inconfidência mineira pretendia eliminar a dominação portuguesa sobre Minas Gerais. Não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, pois naquele momento uma identidade nacional ainda não havia se formado. O formato de governo escolhido pelos inconfidentes foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas ideias iluministas da França e da Independência dos Estados Unidos da América (1776). Lembramos que não havia uma intenção clara de libertar os escravizados, já que muitos dos participantes do movimento eram detentores dessa mão-de-obra.

As reuniões deste grupo que possuem comprovação documental aconteciam na casa de Cláudio Manuel da Costa e na casa de Tomás Antônio Gonzaga, já as sem comprovação documental aconteciam na casa de José Alvares Maciel (hoje atual Museu Casa dos Inconfidentes, objeto deste Artigo Turístico), onde se discutiram os planos e as leis para a nova ordem, tendo sido desenhada a bandeira da nova República, — uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina "Libertas Quæ Sera Tamen" —, cuja os dizeres foram aproveitados de parte de um verso da primeira écloga de Virgílio e que os poetas inconfidentes interpretaram como "liberdade ainda que tardia".

Foi nomeado no ano de 1788 o 24º governador do Brasil, Luís António Furtado, com ordens expressas de lançar a “derrama” e, no ano seguinte a sua nomeação desmantelou a conspiração dos inconfidentes mineiros, sendo os réus acusados do crime de “lesa majestade” (traição contra o Rei).

 

Localização:

Está instalado na região conhecida como Morro do Cruzeiro. Em uma mesma serra estão instalados ao seu pé a Estação Ferroviária de onde parte passeio turístico de Trem para Mariana, ao meio o Museu Casa dos Inconfidentes e no topo o mirante da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Para quem conseguir observa-los de longe entenderá que fisicamente estão instalados próximos um do outro, mas para acessar cada um destes é necessário dar muitas voltas pelas ruas da serra.

O Museu é um pouco afastado do centro histórico, sendo prudente visitar o atrativo com algum veículo. Para estacionar é bem tranquilo, o atrativo possui estacionamento próprio, amplo e com acessibilidade.

Para quem deseja chegar até o atrativo à pé saindo da Praça Tiradentes, terá que enfrentar alguns morros, mas é super tranquilo e com certeza as paisagens serão recompensadoras. O trajeto à pé tem a duração de 25 minutos e 1,7 km de extensão. Já com veículo, o trajeto tem a duração de 7 minutos e 2 km de extensão.

 

Abaixo estão todos os atrativos turísticos que nós da Tour Ouro Preto já visitamos e criamos Artigos Turísticos apresentando tudo que o visitante irá encontrar. Aproveite para descobrir o que Ouro Preto tem a oferecer!

Chegando ao Museu Casa dos Inconfidentes temos a sensação de estarmos entrando em um sítio. A rua de acesso quase não tem casas, sem muros, apenas com cercas, cavalos pastando e um belo visual para a região histórica da cidade, vale parar e contemplar a vista.

Na entrada do museu deparamos com uma porteira de madeira, grande pátio, belo jardim e ao centro o casarão que foi sede das conspirações do movimento de inconfidência. Tudo isto já dá um charme e contribui bastante para a proposta do atrativo. Do lado de fora da casa já devemos parar um instante e observar como a edificação é imponente, portas largas, janelas grandes e os mourões de madeira que a tudo sustentam.

Esta propriedade pertencia a José Álvares Maciel, que teve participação fundamental na idealização do movimento político conhecido como Inconfidência Mineira. Por este motivo vale conhecermos e saber um pouco mais da sua história.

Natural de Vila Rica (atual Ouro Preto), foi batizado na capela de Santa Quitéria, freguesia de Nossa Senhora do Pilar em 1º de maio de 1760. Bacharel em Filosofia Natural (Ciências Naturais) pela Universidade de Coimbra (Portugal), viajou para a Inglaterra a fim de aperfeiçoar seus estudos acerca das siderurgias e manufaturas, mantendo contato não apenas com industriais e técnicos, mas também com as ideias do liberalismo e da maçonaria.

Entre 1787 e 1788, em nova viagem à Coimbra, encontrou-se com José Joaquim da Maia, que conseguira do Embaixador dos Estados Unidos na França, Thomaz Jefferson, a promessa de apoio às aspirações de libertação dos brasileiros. Após inúmeras andanças pela Europa, Maciel regressou ao Rio de Janeiro em meados de 1788, transferindo-se em seguida para Vila Rica, onde logo integrou ao grupo que idealizou a Inconfidência Mineira.

A utopia de um país independente teve curta duração para Maciel pois, após apenas um ano de seu regresso à terra natal foi interrogado devido à denúncia de ser um dos líderes do movimento revolucionário, o que resultou na sua prisão em 28 de junho de 1789.  Levado para a Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon, no Rio de Janeiro, lá permaneceu até maio de 1792, quando foi degredado (deportado, desterrado, exilado...) para Angola. Depois de cumprir sua pena, Maciel tornou-se representante comercial dos negociantes de Luanda, montando na localidade de Trombeta, Província de Itamba, uma pequena siderurgia. Faleceu em março de 1805, aos 44 anos.

O outro inconfidente a guardar relação com o Museu Casa dos Inconfidentes é o Tenente-Coronel do regimento de dragões de Minas Gerais, Francisco de Paula Freire de Andrade, que se casou com D. Isabel Carolina de Oliveira Maciel, filha de José Álvares Maciel e herdeira da propriedade.

Nascido em 1752, no Rio de Janeiro, era filho do 2° Conde de Bobadela, o Coronel José Antônio Freire de Andrade, que governou a Capitania mineira entre 1752 e 1758. Apesar do seu altíssimo posto militar, participou da conspiração republicana não apenas como idealizador, mas patrocinando-a e cedendo sua casa para reunir os conjurados. Quando descoberta a conspiração, Francisco Paula Freire foi preso e sentenciado à morte, assim como Tiradentes, mas teve sua pena comutada (trocada, alterada, mudada) em degredo para Moçambique, para onde partiu em 1792. Apesar do seu grande desejo de retornar ao Brasil, não pôde realizá-lo, pois só teve licença para fazê-lo em 1808, ano em que faleceu.

Como se vê, comprova-se que o Museu Casa dos Inconfidentes pertenceu mesmo a aos inconfidentes, sendo inevitável relacioná-la ao movimento.

 

Atual aplicação da Casa:

Totalmente reformada e com abertura no ano de 2010, sua nova utilização como Museu tem grande relevância para a administração pública local, pois é o único museu municipal.

Na parte superior seu acervo remonta uma “casa” do século XVIII, retratando aspectos da relação e privacidade familiar. A Casa apresenta a forma como viviam, como se organizavam e até mesmo o que era luxuoso para a época, representados através de mobiliários, artefatos e elementos religiosos podemos imaginar os fazeres da época, a intimidade do descanso e o modo como interagiam.

Na “sala de estar” encontramos grande mesa de madeira, bancos e armário. Esta sala também abriga exposições itinerantes:

Leito de viúva com oratório de Alcova. As mulheres possuíam oratórios próprios, guardados em seus quartos, levados em viagens e, mais tarde, para seus lares de casadas. Costumavam ser herdados, passados da mãe para a filha. Dedicados geralmente à Virgem Maria ou Santana:

Quarto de casal. Mais amplo, com várias arcas para armazenamento de utensílios:

Sala de jantar. Apresenta variedade de utensílios domésticos, dentre eles a moringa de barro, armários e cadeiras com treliça em palinha.

Na parte inferior do prédio encontramos um grande painel, nele estão retratados patrimônios edificados que são referências do período do ciclo do ouro e, especificamente, das relações com a Inconfidência Mineira, além de vários objetos da época.

Vista do grande pátio:

 

Observações:

  • Para quem chega até o atrativo de carro, é possível estacionar bem na sua porta pois possui amplo pátio.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados. O museu é tanto na arquitetura, quanto na decoração, para os olhares atentos, garantia de contentamento e obtenção de novos conhecimentos sobre nossa história.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe do Museu nos recebeu, principalmente a museóloga Romilda Mesquita que nos surpreendeu com seu carisma e sorriso fácil.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Gratuita.
  • Horários de funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 10 às 15:45 horas.
  • Endereço: Rua Engenheiro Correa, s/nº, Bairro Vila Aparecida - Ouro Preto
  • E-mail: [email protected]
  • Telefones: +55(31)3551-2739.

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