CASA DOS CONTOS - MUSEU


Fala Galera!

 

A antiga Vila Rica foi o berço da nossa liberdade com o movimento da Inconfidência Mineira e, até hoje em Ouro Preto é possível conhecermos muito da história de Minas Gerais, principalmente nesse casarão que visitamos e escrevemos esta matéria. Sua grandiosidade a torna imponente e os detalhes saltam aos olhos dos mais atenciosos.

Esta antiga casa onde hoje funciona o museu é o maior exemplo da arquitetura residencial barroca de Minas Gerais, tendo o início da sua construção em 1782 e inauguração em 1784. Facilmente notamos um planejamento cuidadoso feito pelos arquitetos da época.

 

Esta casa foi idealizada por João Rodriguez de Macedo, conhecido por ser contratador de entradas e dízimos, onde era ele responsável por toda arrecadação de impostos para a Coroa Portuguesa, hoje sua posição é equivalente a um Banqueiro, só que na época ele assumia a dívida contra uma participação de 5% do seu credor.

O final da sua história não é tão feliz, tendo falência proveniente da má administração das suas atividades e seus bens confiscados pela Coroa no ano de 1803. Continuaremos esta história mais a frente.

Esta casa já foi conhecida por outros nomes sendo, Casa de João Rodriguez de Macedo, Casa dos Reais Contratos, Casa de Fundição e da Moeda, sede da Administração Pública da Capitania de Minas Gerais, Presídio dos Inconfidentes e hoje é chamado Museu Casa dos Contos.

Voltando a falar da sua arquitetura, de início já notamos a fachada imponente, ao entrar é como passar por um portal de volta ao passado, num tempo que está guardado em cada detalhe do casarão.

No saguão de entrada percebe-se com clareza a intenção da construção em ter ao seu centro uma passagem para carruagens, carroças e cavalos, facilmente notada pela diferença da posição do piso construído em pedra que serve de apoio para a entrada, garantindo acesso dos comerciantes que aqui chegavam até os antigos armazéns de Morro Acima, também de propriedade do já citado construtor.

 

 

Dando continuidade a história da residência, após seu confisco do antigo proprietário pela Coroa Portuguesa, foi construída em 1821 um acréscimo à edificação, adicionando um forno de fundição para tributar o ouro extraído na região. Esta prática é conhecida como a cobrança do “quinto”, que faz menção aos 20% de tarifa paga pelos feitores à Coroa pelo direito a extração do tão cobiçado Ouro nas Minas Gerais.

Eram feitas aqui a cunhagem dos Dobrões utilizados na época.

 

 

Seguindo o percurso da exposição inaugurada em 2004, encontramos a evolução da confecção de moeda no Brasil.

 

Um grande detalhe arquitetônico que merece atenção é este sistema de latrina, hoje nós o conhecemos como banheiro, mas antes recebia este diferente nome.

A atenção que chamamos para o sistema sanitário da casa é justamente pela sua singularidade, afinal, na época o comum era o sistema de foças fora da casa ou a utilização do pinico.

Hoje em dia temos acesso a sistemas sanitários em praticamente todos os estabelecimentos que frequentamos, mas para a época em que esta edificação foi construída, este detalhe só se fez possível pelo elevado poder aquisitivo de seu idealizador.

Observação para as aberturas acima, que servem de exaustão para o mau cheiro.

 

A residência também contava com salões nobres utilizados para conversas, reuniões e também jogos da época.

Durante a restauração da casa foram descobertas pinturas nas paredes demarcando ambientes, dando lógica a edificação e apresentando mais uma prova do zelo em sua criação.

 

Vale ressaltar para o detalhe do teto pintado por Manoel da Costa Ataíde, militar, celebrado pintor e decorador brasileiro e um importante artista do Barroco-Rococó mineiro, além de ter uma grande influência sobre os pintores da sua região através de numerosos alunos e seguidores os quais, até a metade do século XIX, continuaram a fazer uso de seu método de composição, particularmente em trabalhos de perspectiva no teto de igrejas.

Parte do segundo andar é ocupado pelo Centro de Estudos do Circuito do Ouro (CECO), que é um projeto do Ministério da Fazenda qual foi inspirado pelo historiador Tarquínio José Barbosa de Oliveira para resgatar e trazer de volta a Ouro Preto toda documentação econômica e fiscal do século XVIII.

Este centro conta com acervo histórico em papel que compõe a Biblioteca “Luiz Camillo de Oliveira Netto”, com 7.742 volumes e também cerca de 2100 microfilmes.

 

Existe no museu uma sala em homenagem a Claudio Manoel da Costa, nela aprisionado no ano de 1789 pelo crime de conspiração contra a Coroa por ter participado da Inconfidência Mineira, e alguns meses após sua prisão foi encontrado morto enforcado com o cordão de sua bermuda. Até hoje não se sabe se a causa da morte foi suicídio ou assassinato. O que realmente importa é a figura emblemática que hoje temos de Claudio, que em biografia básica foi advogado, minerador, poeta e ilustre envolvido na Inconfidência Mineira.

Hoje a sala serve como base para a exposição de arte local.

 

No porão da casa existe uma senzala, a única de Ouro Preto que mantem as características originais do século XVIII, nela descansavam os escravos após os trabalhos domésticos na casa, não existe luxo algum, além de ser fria e húmida.

Nesta senzala hoje estão expostos peças ligadas à escravidão

 

Na parte frontal da casa hoje existem duas galerias de artes abertas à exposições temporárias, tanto nacionais quanto internacionais. Na data da nossa visita estavam sendo expostas as obras de Durval Pereira, considerado o maior impressionista da nossa era.

 

Observações:

  • O Museu Casa dos Contos possui ótima localização bem no centro de Ouro Preto, próximo às principais atrações turísticas da cidade, além de estar cercado por bons restaurantes e comércio local.
  • Visitas guiadas devem ser previamente agendadas.
  • Destino obrigatório para quem deseja conhecer mais sobre a história mineira.
  • Para receber mais dicas como esta, inscreva-se no boletim informativo clicando no botão azul abaixo.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe do Museu nos recebeu.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham. Gratidão.

 

Informações importantes:

  • Entrada GRATUITA.
  • Horários de funcionamento: terça-feira a sábado, das 10 às 17 horas. Domingo e feriado, das 10 às 15 horas.
  • Endereço: Rua São José, 12, Centro - Ouro Preto.
  • E-mail: [email protected]
  • Telefone: (31) 3551-1444

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Tenham um bom passeio e até a próxima!

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