BASÍLICA NOSSA SENHORA DO PILAR


Fala Galera!

 

Para o início da matéria precisamos esclarecer algumas coisas, iniciando pela nomenclatura que este atrativo hoje possui e os anteriores que já recebeu. A forma com que foi chamado ao longo dos anos tem direta relação com o seu status perante a hierarquia eclesiástica (posição de importância e poder da igreja).

A sua história teve início com a construção de uma capela no ano de 1696, logo em seguida, no ano de 1712 foi ampliada com recursos dos devotos. Recebeu o nome de Capela pois era definida como um templo católico que comporta (normalmente) só um altar, caracterizada pela sua modesta estrutura física onde o padre exerce suas funções normalmente de forma itinerante, estando subordinada e pertencendo a uma paróquia.

Devido a constante atração de fiéis e reunião de maior número de Irmandades, no ano de 1728 deu-se início a construção da Igreja. As Irmandades são grupos de pessoas geralmente leigas associadas voluntariamente para promover trabalhos de caridade ou piedade. O auxílio das Irmandades para a construção da Igreja foi muito interessante pois, ganhou-se auxílio financeiro, artístico e também atenção popular, o que acabou agregando cada vez mais força para a instituição.

A sequência nas obras de transformação da Capela em Igreja foram seguidas e, entre os anos de 1731 e 1733 as celebrações foram paralisadas para que a capela fosse demolida. Neste período o Santíssimo Sacramento e imagens foram provisoriamente depositados na Capela filial de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Logo em seguida, as atividades foram retomadas já como Igreja, sendo esta definida como um templo católico normalmente com qualidade de Paróquia, onde o Vigário e/ou Pároco, exercendo sua autoridade religiosa, confirmando e repassando as instruções episcopais aos religiosos ou fiéis que estão sob sua jurisdição eclesiástica. As obras de decoração da nave e da capela-mor levaram mais de vinte anos para serem concluídas.

A elevação de Igreja a Basílica deu-se em 1º de dezembro de 2012 através de decreto do papa Bento XVI. A elevação à Basílica foi feita em tempo recorde, em outros casos gastaram-se de cinco a dez anos para todo o processo findar, mas para surpresa, no caso da Basílica Nossa Senhora do Pilar todo o processo ocorreu em uma semana. Esta celeridade do processo provavelmente deu-se ao prévio trabalho dos estudiosos e padres que prepararam toda a documentação, cerca de 400 páginas com fotos e informações históricas do santuário.

Uma Basílica é caracterizada por ser uma Igreja de grande porte, privilegiada com relíquias de um ou mais santos e que possua grande influência sobre determinada região geográfica ou país, além de acentuado caráter espiritual que exerce sobre religiosos e leigos de uma jurisdição eclesiástica. Felizmente foram constatados todos os pré-requisitos para aquisição do título.

Com a elevação, foram recebidas todas as insígnias e emblemas papais, igualando-a em dignidade às basílicas romanas. Após o decreto passou a ser chamada de Basílica Menor de Nossa Senhora do Pilar. O termo “maior” é utilizado apenas às quatro basílicas de Roma, já o termo “menor” usa-se para as demais basílicas em qualquer parte do mundo, lembrando não ter relação com seu tamanho, poder ou status.

Visto toda sua evolução hierárquica e histórica, agora vamos conhece-la melhor em todos seus detalhes, iniciando pela sua localização. Está situada em parte mais baixa da cidade, ao lado da Praça Monsenhor Castilho Barbosa, de frente a Rua Conselheiro Santana (melhor espaço para estacionar e chegar até o atrativo).

 

 

O frontispício da Basílica já sofreu algumas alterações ao longo de sua existência, sendo primeiramente construída em taipa (técnica que consiste em comprimir a terra em formas de madeira no formato de uma grande caixa, onde o material a ser socado é disposto em camadas), mas em virtude de sua fragilidade entre os anos de 1828 e 1848 foi reconstruído em pedra. Suas características constituem-se numa espécie de síntese dos frontispícios do Rosário e São Francisco, tendo sofrido influência ainda do Carmo no frontão.

 

O templo foi edificado conforme projeto atribuído ao Engenheiro Militar Pedro Gomes Chaves. A constituição da edificação foi concebida de forma incomum para a época, tendo sua construção iniciada pelo corpo da Nave, e em sequência a construção da Capela-mor. Geralmente fazia-se o contrário, mas neste caso específico fez-se o inverso pela necessidade de manter os cultos da capela medieval em andamento, visto a numerosa atração de fieis e consequente obtenção de recursos.

 

A ornamentação interna da Matriz, incluindo o serviço de talha, carpintaria, pintura e douramento da nave e da capela-mor foram realizados entre os anos de 1735 e 1774, somando um total de 39 anos para sua conclusão.

Ao adentrar a igreja podemos observar claramente que o corpo da nave possui seis retábulos, sendo os três do lado Evangelho (lado esquerdo) dedicados às irmandades de Nossa Senhora da Conceição (atualmente sustenta a imagem de Nossa Senhora das Dores), de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (atualmente sustenta a imagem de Nossa Senhora do Terço) e de Santo Antônio. Já os três retábulos do lado Epístola (lado direito) localizam-se os altares das Irmandades do Senhor dos Passos, de Santana e São Miguel e Almas (atualmente sustenta a imagem do Cristo Crucificado).

 

A nave tem o formato poligonal, este formato deve-se ao carpinteiro Antônio da Silva, autor do risco do forro e forrada da talha.

 

Abaixo segue imagem da Capela-mor, seu forro e na sequência uma de suas paredes laterais.

 

Um detalhe interessante é o Arco do Cruzeiro, decorado com flores entalhadas de variadas formas, sendo cada uma delas com características únicas. Esta obra é devida ao carpinteiro Ventura Alves Carneiro.

 

Outro detalhe interessante a se perceber são as pinturas que fazem alusão às quatro estações do ano, localizadas na parte inferior das paredes laterais. Estas obras são de autoria do pintor Bernardo Pires.

 

A Basílica conta ainda com Sacristia que possui lavabo e mobiliário do século XVIII, primeira Imagem abaixo, e também Consistório, onde estão alocadas peças em exposição. Na segunda imagem em sequência estão alguns dos trajes utilizados em celebrações, alguns deles tecidos com fios de ouro, o que demonstra a abundância do metal extraído na época.

 

Observações:

  • Para quem chega até a estação de carro, é possível estacionar à frente da Igreja, mas é necessário ter paciência devido ao pequeno número de vagas e quanto a reduzida largura das ruas que circundam.
  • O atrativo está apto a receber grandes grupos de visitantes.
  • Temos certeza que, durante a visitação, irão descobrir inúmeras curiosidades e encontrar detalhes por nós não citados. A Igreja é tanto na arquitetura, quanto na decoração, para os olhares atentos, garantia de contentamento e obtenção de novos conhecimentos sobre nossa história.

 

Agradecimentos:

  • Agradecemos ao apoio e cordialidade com que a equipe da Igreja nos recebeu, em especial ao Padre João e ao grande amigo Manoel Paulo.
  • Agradecemos também a Secretaria de Turismo da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, abrindo as portas dos atrativos turísticos e culturais para que possamos mostrar sua grandiosidade para todos que nos acompanham.

 

Informações Importantes:

  • Entrada: Inteira R$8,00. Meia R$4,00 para: professores, estudantes mediante apresentação de carteirinha escolar ou declaração da escola, idosos brasileiros acima dos 65 anos de idade mediante apresentação de RG. Isenção para: crianças até sete anos de idade mediante apresentação de certidão de nascimento ou identidade, Ouro-pretanos que apresentarem comprovante de residência ou RG, guias turísticos devidamente credenciados e mediante apresentação de crachá vinculado a instituição de turismo.
  • Horários de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 09:00 às 10:45 horas, e das 12:00 às 16:45 horas.
  • As missas ocorrem de segunda-feira a sexta-feira às 07:00 horas, sábado às 19:30 horas e domingo às 19 horas.
  • Endereço: Praça Monsenhor Castilho Barbosa, 17 - Pilar, Ouro Preto
  • Telefones: (31) 3551-4735 e (31) 3551-4736.

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27 ago 2018


Por Paulo Afonso
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